Hoje, eu estava conversando com uma pessoa muito especial (Ana, te amo!). Ela sempre foi uma benção em minha vida. Eu estava falando a respeito dos meus questionamentos sobre quem é Deus. Ela me perguntou:

Você sabe quem é você?

– Não – minha reposta, meio cabisbaixa.

– Então, você não vai saber quem é Deus.

E finalizou com a frase que foi um tapa sem mão e me deixou pensando durante o dia inteiro.

– Deus é aquele que entregou seu filho para morrer na cruz. Ali, naquela cruz, Ele revelou quem era.

Isso me fez começar a entender que o chamado de Deus para mim e para você é um relacionamento. O que Deus quer conosco é se relacionar.

Os relacionamentos no mundo estão cada vez piores. Existe um individualismo na sociedade. Aos poucos, vamos deixando de se relacionar. Hoje, temos um falso sentido de liberdade, realização. Na verdade, tudo isso esconde um vazio relacional. O que eu necessito hoje é redescobrir o Pai. Redescobrindo a paternidade de Deus estaremos redescobrindo o que é um relacionamento de amor e entrega.

A própria natureza de Deus era uma natureza relacional entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles são o puro amor e é dentro dessa relação do Pai com o filho que vamos aprender a ser relacionar paternalmente.

Os primeiros relacionamentos de uma criança, pai e mãe, estão fragmentados. É a identidade paterna e materna que produz a própria identidade nos filhos. E isso tem se tornado cada vez mais raro. O nosso relacionamento com Deus nos fornece a nossa própria identidade. Redescobrir o pai é preencher o vazio relacional. A figura do pai não resgata apenas a minha missão, mas resgata quem eu sou, a minha identidade.

Hoje, as pessoas procuram preencher o vazio através das suas atividades. Mas, não são as minhas atividades religiosas que preenchem o vazio da minha alma. Normalmente, nossas inseguranças afetivas nos levam a desejar algo que de alguma forma nos faça sentir amados, realizados. Fazemos algo para provar quem somos, para buscar sermos aceitos, amados. Às vezes, até para provar que somos filhos. A nossa motivação muitas vezes, pode ser a necessidade de aceitação. Tenho uma coisa para te dizer: Deus não nos vocacionou para o poder, mas para o amor. Por trás de uma busca de poder existe um vazio relacional. O relacionamento vem primeiro, a missão é conseqüência.

Vemos uma questão interessante na Bíblia: o marco inicial do ministério de Jesus não foi um milagre, uma manifestação de poder e glória, mas sim, o batismo e a voz do pai: “Esse é meu filho amado, em quem tenho prazer.” O marco inicial do ministério de Jesus definia quem Ele era, de onde Ele vinha e quais eram suas relações. A motivação de Jesus para a realização das obras sempre foi o relacionamento com Deus. Se eu quiser compreender Jesus, devo entender o amor que ele tinha com o Pai, principalmente.

Nós só vamos resistir a tentação do ativismo, do poder, se ouvirmos a voz do pai. E uma boa notícia: Ele não mede o tamanho das realizações para dizer: “És meu filho amado”. Ele diz isso, repetidamente, independente do que eu faça. Nós precisamos aprender a ouvir a mesma voz do Jordão, a revelação da voz do pai. Nós precisamos redescobrir o ABA nos lábios de Jesus.

Você sabe o que significa ABA? Aba é uma expressão em aramaico que denota intimidade e reverência.

Jesus pronuncia essas palavras no Getsemâni. Nos lábios de Jesus encontramos ABA em momentos de submissão e renúncia.

Nos dias de hoje, expressões de intimidade, muitas vezes, são usadas para manipular o outro. Relacionar-se hoje, para muitos, é a arte de saber tirar vantagens. Quando acaba o interesse, acaba o relacionamento. Aba nos lábios de Jesus fala de uma intimidade real e não de uma intimidade interesseira. Muitas pessoas oram ao pai buscando tirar proveito. Oram não para se relacionar, mas para receber o que Deus pode dar. As orações parecem uma lista de supermercado. Lógico que o começo da caminhada com Deus, na maioria das vezes, vem através de uma necessidade, mas não podemos permanecer nesse estágio. Esse é um nível imperfeito de relacionamento. Precisamos aprofundar o nosso relacionamento com Deus até o ponto de não precisarmos de mais nada a não ser DELE mesmo. Redescobrir ABA é redescobrir o lugar do coração de Deus. É encontrar na obediência por amor o sentido da existência humana.

Deus me ensina, me ensina a te conhecer, me ensina a me relacionar contigo e aprender a dizer todos os dias ABA PAI. Preciso, preciso encontrar o sentido de tudo e principalmente o sentido de viver em Ti.

 

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Débora Branquinho