fevereiro 2009


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Esses dias, parei para analisar a base dos relacionamentos. Analisei tanto a mim quanto aos outros. O que me leva andar com alguém? Qual o real motivo da busca pela companhia da Mariazinha? Por que andar com cicrano? Por que procurar fulano? Quais os interesses que estão por trás de uma panela de amizade? Concordo que, nesse momento, eu posso está sendo bastante radical e intransigente. Permita-me terminar o meu discurso antes de você discordar dele. Você já parou para pensar no motivo que te levou a procurar uma pessoa?

Um exemplo: sábado à tarde, um sol de rachar a cabeça, os seus amigos (os de verdade), estão ocupados… Trabalhando, viajaram, menstruou, o marido ta doente… você já procurou por todos, ninguém pode ir à praia com você. Começa a procura… ahhhhhhh tem fulana, ahhhhhhh a beltrana gosta de praia, ahhh Juquinha pode ser que vá… e por ai vai… Agora pense comigo, se você tivesse encontrado a sua amiga, aquela que está sempre com você, ligaria para essas pessoas? Qual foi a última vez que você convidou-as para sair? A base dessa procura não foi sincera, foi um “tapa buraco” e isso não é amizade. Isso acontece com freqüência, em diversas situações, com diversas pessoas…

Na igreja, é muito comum todos quererem contato com aqueles que são influentes, de alguma forma, o líder de tal coisa, a menina popular que fala com todo mundo, a que canta lá em cima, o que tem dinheiro, o que tem piscina em casa, a que é amiga de tal pessoa, o mão aberta, aquela que tem uma casa de praia… a relação não tem fim. E não seja hipócrita de dizer que isso não existe, porque é mais real que uma nota de 10 reais.

Eu sou muito fria comigo mesma nas minhas análises pessoais e, consequentemente, analisando os que estão a minha volta. Não sou psicóloga, mas sou bastante observadora e, dificilmente, algo passa por mim despercebido. Eu prefiro não citar o acontecimento que despertou isso em mim. Mas o fato é que a maioria das relações tem como base o interesse. Na verdade, elas começam com um interesse, seja ele bom ou ruim. Nem todos os interesses são ruins, às vezes, eles são bons. Talvez, você tenha o interesse em se aproximar de alguém porque ele precisa de ajuda, porque quer ser um instrumento de benção. Isso é um interesse bom…

Com o tempo, esse interesse inicial pode ou não se transformar em amizade verdadeira, onde o prazer está apenas em amar o seu amigo e se doar para ele. Tenho muitos exemplos disso no meu ciclo de amizade. Entretanto, isso pode também não acontecer e o seu “relacionamento” se transformar em uma eterna “troca de favores”.

Eu prezo muito pelo tempo. Eu gosto de estar com meus amigos, gasto tempo com eles e me dedico a eles com todo o meu coração. Quem é meu amigo, de verdade, sabe disso. E se for mentira, pode dizer ai no comentário. Rsrsrs Para mim, o importante é andar junto, é estar junto, é sair, é rir, é conversar coisas sérias, é falar bobagem, é ir ao cinema, é almoçar, é jantar… Eu gosto, eu valorizo, eu busco. Isso é importante. E o mais importante é quando tudo isso acontece pelo simples prazer de estar junto, pelo prazer de ter você ao lado, só porque te ama. Quando um amigo não tem tempo para mim é motivo de grande frustração.

Com Deus, as coisas também acontecem dessa forma. A maioria das pessoas se chega a Deus porque precisa de algo. Ele já está “acostumado” com isso. Por que você se converteu? Por que tava sofrendo? Por que não agüentava mais viver na bagunça? Por que estava vazia, infeliz? Por que tinha uma causa impossível? Alguém ficou doente? Não importa o motivo. O que realmente importa é que a sua busca inicial por Deus teve como base algum interesse. Não é verdade? Somos humanos e NINGUÉM dá ponto sem nó. O problema é quando o seu relacionamento com o Pai se torna uma eterna “troca de favores” e não evoluiu para algo maduro, sincero e verdadeiro. Deus também preza pelo tempo. Ele não quer você somente quando há uma necessidade. Ele quer desfrutar com você um tempo de amizade, de comunhão, de companheirismo, de sinceridade, de andar junto apenas por andar junto, por amor, pelo prazer de compartilhar experiências, pelo prazer de estar em sua presença, pelo prazer de revelar segredos. Com pureza, isento de interesses, mas apenas com uma necessidade de não precisar de nada a não ser da sua presença.

Que possamos nos achegar a Deus de mãos limpas, puros, com vontade apenas de desfrutar da sua companhia e nada mais.

Débora Branquinho</p

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613879_39442573Eu sempre fui uma criança mimada, cheia de vontades. Desde pequena, eu nunca soube o significado de um “não”. Mesmo que minha mãe me dissesse “não”, eu dava um jeito de transformá-lo em um “sim”. Para mim, ou era “sim” ou era “sim”. Até que, com o tempo, a vida se encarregou de me ensinar que o “NÃO” existe no vocabulário. Não aprendi somente a sua existência, mas também a sua importância.

Para algumas situações, a minha persistência e determinação são “fora do comum”, para outras, é apenas um “fogo de palha”. Essa determinação me preocupa quando é utilizada para alcançar algo que Deus não disse “sim”, ou melhor, disse “não”.

Todos nós possuímos desejos, sonhos, vontades. Eu, por exemplo, sonho em ser mãe, em ver meu filho crescendo, estudando, casando, servindo ao Senhor; sonho em ter uma vida financeira estável, em ser uma jornalista bem sucedida, em escrever bons livros, que edifiquem, que façam diferença na vida das pessoas; sonho em ver meu marido prosperar, crescer em Deus e para Deus. Enfim, esses são os sonhos que eu me permito compartilhar com vocês. Outros, apenas Deus conhece.

A pergunta interessante é: quais são os sonhos de Deus para nós? E quando Ele diz “não” para os nossos sonhos, desejos, vontades? Às vezes, desejamos coisas simples, pequenas, aparentemente, sem importância, mas que podem causar um estrago na nossa vida. Outras vezes, essas coisas não vão causar nada, mas Deus quer nos ensinar o SEU tempo e o SEU modo e através da negação nos ajudar a subir mais um degrau.

A duras penas eu aprendi, e ainda tenho aprendido, isso. Porque eu fui muito mimada, durante longos anos, desejei coisas e corri atrás de coisas, que, momentaneamente, me faziam ser “mais importante”, entretanto, essas coisas só me machucaram. A mesma atitude que eu tinha com a minha mãe, quando criança, eu tinha com Deus. Eu queria porque queria e, assim, fui apanhando, fui sofrendo, fui amadurecendo e entendendo que os olhos de Deus são olhos de águia. Ele enxerga o que não estamos vendo. Somos tão medíocres, tão pequenos, imploramos para Deus por um pedaço de pão, quando ele quer nos dar uma padaria inteira. Nossa infantilidade, nossa pequenez não consegue aceitar que Deus não tem para nós aquilo naquele momento. Quem sabe mais adiante? Choramos e nos entristecemos por perdas, por portas fechadas, por amizades perdidas, por cargos roubados, por casas não compradas… queremos tanto… tanto… mas será que é o momento de receber esse tanto? Será que é a hora de ter a padaria? É melhor receber um pedaço de pão agora e esse pão ser um instrumento de maldição ou aguardar pela padaria e desfrutar da boa, perfeita e agradável vontade de Deus?

Se você insistir pelo pão, Deus te dará o pão. Mas lembre-se, esse pão pode adoecer a sua alma. Espere pelo melhor. Não reclame quando a porta se fechar, Deus tem outras portas maiores no final do corredor.

Débora Branquinho

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É carnaval. Está tudo liberado. São quatro dias de folia, de zoação, de bebedeira, de sexo explícito, de micareta. A autoridade da cidade entrega uma chave para um rei. Rei esse, nada convencional. Representação forte não? A chave está com ele. A autoridade está de férias. Façam o que quiser, vivam o que quiser, sejam o que quiser. Os valores são invertidos. Homem vira mulher, mulher vira homem. Época em que você pode dar asas a sua imaginação e viver da forma que bem entender, e o melhor, sem medo de ser julgado. Seja o diabo, a bruxa, o duende, a fada, o monstro, o gay, a Pedrita, a Eva, o hippie, o Gasparzinho, a forma de bolo, o rolo de papel higiênico… Não importa. Meras fantasias. O sexo está em alta, mas, claro, com camisinha. Dê para quem você quiser, transe como todo mundo, faça sexo a três, mas não esqueça a camisinha. Afinal, ela é a personagem mais importante nisso tudo. O importante é dar, mas não engravidar e não pegar AIDS, né? Ela mata, lembra? Quer dizer, ela não, outras doenças que se manifestam após a baixa da imunidade decorrente do desenvolvimento do vírus. Não tem problema, um dia vamos todos morrer.

Chegou a Quarta-feira, não uma simples quarta-feira, é quarta-feira de cinzas. Cinzas mesmo. Dia de você voltar a ser quem era, tirar a máscara… ou… colocá-la? A segunda opção é mais contundente. Quando tudo acaba, as máscaras são recolocadas. As chaves são devolvidas. O rei deixa de ser rei. A sua fantasia vai pro armário, mas a sua máscara não. Ela estava no armário durante todo o carnaval. Começam os 40 dias de hipocrisia. Vamos nos purificar, a páscoa está chegando e nosso Senhor vai morrer e depois de três dias vai ressuscitar. Acabou o tempo de folia, é tempo de “santidade”.

É “óbvio” que nós, que cremos no Senhor e vivemos para Ele, não enxergarmos tudo dessa forma, pelo menos, não deveríamos. Entretanto, muitas vezes vivemos grande parte da nossa vida usando essas máscaras. Em determinado momento, ousamos retirá-la, mas por pouco tempo. Nossa nudez não pode ficar a mostra. Escondemos nossos erros bem no fundo, tão fundo que, às vezes, nem sabemos onde colocamos. É difícil olhar para dentro de nós e colocar luz na podridão que se esconde por trás de uma capa de santidade e espiritualidade. De vez em quando, retiramos a máscara, como todos fazem durante o carnaval, mas nos sentimos tão sujos, tão podres, tão distantes do caráter de Jesus, que não suportamos viver sem ela. A luz dói, o fogo arde e quanto mais nos aproximamos da luz do Senhor, mais sujos nos sentimos, porque quanto mais próximos, mais do seu caráter é revelado em nós. Mas veja bem, é o SEU caráter revelado em NÓS. Nada é nosso. Seguir a Jesus de perto não é simples. Requer tanta coisa, principalmente, disposição de passar pelo fogo, disposição de enxergar o mais profundo do nosso ser. Só somos curados e moldados, se enxergamos onde está ferida.

Convido a você, junto comigo a não recolocar a máscara quando a escuridão interior vier à tona. Mesmo que doa, não retire a sua máscara do armário. Revele a sujeira do seu interior ao Mestre e ele se encarregará de limpar, de moldar, de tratar e de fazer de você e de mim um espelho da sua glória.

Com amor,

Débora Branquinho