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É carnaval. Está tudo liberado. São quatro dias de folia, de zoação, de bebedeira, de sexo explícito, de micareta. A autoridade da cidade entrega uma chave para um rei. Rei esse, nada convencional. Representação forte não? A chave está com ele. A autoridade está de férias. Façam o que quiser, vivam o que quiser, sejam o que quiser. Os valores são invertidos. Homem vira mulher, mulher vira homem. Época em que você pode dar asas a sua imaginação e viver da forma que bem entender, e o melhor, sem medo de ser julgado. Seja o diabo, a bruxa, o duende, a fada, o monstro, o gay, a Pedrita, a Eva, o hippie, o Gasparzinho, a forma de bolo, o rolo de papel higiênico… Não importa. Meras fantasias. O sexo está em alta, mas, claro, com camisinha. Dê para quem você quiser, transe como todo mundo, faça sexo a três, mas não esqueça a camisinha. Afinal, ela é a personagem mais importante nisso tudo. O importante é dar, mas não engravidar e não pegar AIDS, né? Ela mata, lembra? Quer dizer, ela não, outras doenças que se manifestam após a baixa da imunidade decorrente do desenvolvimento do vírus. Não tem problema, um dia vamos todos morrer.

Chegou a Quarta-feira, não uma simples quarta-feira, é quarta-feira de cinzas. Cinzas mesmo. Dia de você voltar a ser quem era, tirar a máscara… ou… colocá-la? A segunda opção é mais contundente. Quando tudo acaba, as máscaras são recolocadas. As chaves são devolvidas. O rei deixa de ser rei. A sua fantasia vai pro armário, mas a sua máscara não. Ela estava no armário durante todo o carnaval. Começam os 40 dias de hipocrisia. Vamos nos purificar, a páscoa está chegando e nosso Senhor vai morrer e depois de três dias vai ressuscitar. Acabou o tempo de folia, é tempo de “santidade”.

É “óbvio” que nós, que cremos no Senhor e vivemos para Ele, não enxergarmos tudo dessa forma, pelo menos, não deveríamos. Entretanto, muitas vezes vivemos grande parte da nossa vida usando essas máscaras. Em determinado momento, ousamos retirá-la, mas por pouco tempo. Nossa nudez não pode ficar a mostra. Escondemos nossos erros bem no fundo, tão fundo que, às vezes, nem sabemos onde colocamos. É difícil olhar para dentro de nós e colocar luz na podridão que se esconde por trás de uma capa de santidade e espiritualidade. De vez em quando, retiramos a máscara, como todos fazem durante o carnaval, mas nos sentimos tão sujos, tão podres, tão distantes do caráter de Jesus, que não suportamos viver sem ela. A luz dói, o fogo arde e quanto mais nos aproximamos da luz do Senhor, mais sujos nos sentimos, porque quanto mais próximos, mais do seu caráter é revelado em nós. Mas veja bem, é o SEU caráter revelado em NÓS. Nada é nosso. Seguir a Jesus de perto não é simples. Requer tanta coisa, principalmente, disposição de passar pelo fogo, disposição de enxergar o mais profundo do nosso ser. Só somos curados e moldados, se enxergamos onde está ferida.

Convido a você, junto comigo a não recolocar a máscara quando a escuridão interior vier à tona. Mesmo que doa, não retire a sua máscara do armário. Revele a sujeira do seu interior ao Mestre e ele se encarregará de limpar, de moldar, de tratar e de fazer de você e de mim um espelho da sua glória.

Com amor,

Débora Branquinho