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Esses dias, parei para analisar a base dos relacionamentos. Analisei tanto a mim quanto aos outros. O que me leva andar com alguém? Qual o real motivo da busca pela companhia da Mariazinha? Por que andar com cicrano? Por que procurar fulano? Quais os interesses que estão por trás de uma panela de amizade? Concordo que, nesse momento, eu posso está sendo bastante radical e intransigente. Permita-me terminar o meu discurso antes de você discordar dele. Você já parou para pensar no motivo que te levou a procurar uma pessoa?

Um exemplo: sábado à tarde, um sol de rachar a cabeça, os seus amigos (os de verdade), estão ocupados… Trabalhando, viajaram, menstruou, o marido ta doente… você já procurou por todos, ninguém pode ir à praia com você. Começa a procura… ahhhhhhh tem fulana, ahhhhhhh a beltrana gosta de praia, ahhh Juquinha pode ser que vá… e por ai vai… Agora pense comigo, se você tivesse encontrado a sua amiga, aquela que está sempre com você, ligaria para essas pessoas? Qual foi a última vez que você convidou-as para sair? A base dessa procura não foi sincera, foi um “tapa buraco” e isso não é amizade. Isso acontece com freqüência, em diversas situações, com diversas pessoas…

Na igreja, é muito comum todos quererem contato com aqueles que são influentes, de alguma forma, o líder de tal coisa, a menina popular que fala com todo mundo, a que canta lá em cima, o que tem dinheiro, o que tem piscina em casa, a que é amiga de tal pessoa, o mão aberta, aquela que tem uma casa de praia… a relação não tem fim. E não seja hipócrita de dizer que isso não existe, porque é mais real que uma nota de 10 reais.

Eu sou muito fria comigo mesma nas minhas análises pessoais e, consequentemente, analisando os que estão a minha volta. Não sou psicóloga, mas sou bastante observadora e, dificilmente, algo passa por mim despercebido. Eu prefiro não citar o acontecimento que despertou isso em mim. Mas o fato é que a maioria das relações tem como base o interesse. Na verdade, elas começam com um interesse, seja ele bom ou ruim. Nem todos os interesses são ruins, às vezes, eles são bons. Talvez, você tenha o interesse em se aproximar de alguém porque ele precisa de ajuda, porque quer ser um instrumento de benção. Isso é um interesse bom…

Com o tempo, esse interesse inicial pode ou não se transformar em amizade verdadeira, onde o prazer está apenas em amar o seu amigo e se doar para ele. Tenho muitos exemplos disso no meu ciclo de amizade. Entretanto, isso pode também não acontecer e o seu “relacionamento” se transformar em uma eterna “troca de favores”.

Eu prezo muito pelo tempo. Eu gosto de estar com meus amigos, gasto tempo com eles e me dedico a eles com todo o meu coração. Quem é meu amigo, de verdade, sabe disso. E se for mentira, pode dizer ai no comentário. Rsrsrs Para mim, o importante é andar junto, é estar junto, é sair, é rir, é conversar coisas sérias, é falar bobagem, é ir ao cinema, é almoçar, é jantar… Eu gosto, eu valorizo, eu busco. Isso é importante. E o mais importante é quando tudo isso acontece pelo simples prazer de estar junto, pelo prazer de ter você ao lado, só porque te ama. Quando um amigo não tem tempo para mim é motivo de grande frustração.

Com Deus, as coisas também acontecem dessa forma. A maioria das pessoas se chega a Deus porque precisa de algo. Ele já está “acostumado” com isso. Por que você se converteu? Por que tava sofrendo? Por que não agüentava mais viver na bagunça? Por que estava vazia, infeliz? Por que tinha uma causa impossível? Alguém ficou doente? Não importa o motivo. O que realmente importa é que a sua busca inicial por Deus teve como base algum interesse. Não é verdade? Somos humanos e NINGUÉM dá ponto sem nó. O problema é quando o seu relacionamento com o Pai se torna uma eterna “troca de favores” e não evoluiu para algo maduro, sincero e verdadeiro. Deus também preza pelo tempo. Ele não quer você somente quando há uma necessidade. Ele quer desfrutar com você um tempo de amizade, de comunhão, de companheirismo, de sinceridade, de andar junto apenas por andar junto, por amor, pelo prazer de compartilhar experiências, pelo prazer de estar em sua presença, pelo prazer de revelar segredos. Com pureza, isento de interesses, mas apenas com uma necessidade de não precisar de nada a não ser da sua presença.

Que possamos nos achegar a Deus de mãos limpas, puros, com vontade apenas de desfrutar da sua companhia e nada mais.

Débora Branquinho</p