março 2009


Casei-me no dia 27 de março e estou em lua de mel. Quando eu voltar, eu coloco um texto novo.
Obrigada pela presença de todos!

Voltem sempre!

Débora

Esse vídeo é muito simples, muito claro, muito óbvio. Mas, antes de falar propriamente da GRAÇA, quero falar de JUSTIÇA.

“Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 1 Coríntios 5:21

No período do seminário, eu tive uma matéria chamada Justiça de Deus. Conhecer o significado desse versículo mudou a minha forma de enxergar a mim mesma e o próprio Deus.

Justiça é a habilidade de permanecer na presença de Deus, sem qualquer complexo de medo, culpa ou inferioridade como se o pecado jamais tivesse existido. Isso significa que você está isento de qualquer culpa, de qualquer julgo que possa fazer com que você se sinta inferior ou indigno. O véu que nos separava de Deus já foi rasgado e não há como ser costurado. Deus não possui agulha e linha para esse fim. Isso é falado o tempo inteiro nas igrejas, mas pouco vivido. Essa realidade é pouco vivida quando julgamos o nosso irmão, é pouco vivida quando não nos perdoamos por erros cometidos, é pouco vivida quando achamos que  somos superiores ao nosso próximo…

Amigo, deixa eu te contar um segredo: você não é melhor que ninguém por ser cristão. Você não tem o direito de julgar o seu próximo seja ele macumbeiro, católico, evangélico, espírita…. NÃO TEM! Sabe por quê? Porque se hoje você tem livre acesso ao PAI, isso não é mérito seu. Não foi por sua causa. É pura GRAÇA. Não se ache mais santo porque anda com uma Bíblia debaixo do braço, porque frequenta a igreja aos domingos, porque é um missionário, porque é um pastor ou por ser um simples cristão.

Sim, você é santo. Eu sou santa. Mas o somos, porque fomos feitos JUSTIÇA DE DEUS. Deu para entender? A Justiça de Deus se manifestou em nós quando recebemos o favor imerecido que é a Graça.

Bom, da mesma forma que eu citei pessoas que se comportam de maneira superior aos outros por serem de Jesus, quero falar para aqueles que se sentem inferior por não se achar digno de estar com o Senhor.

Querido, você menospreza o sacrifício de Jesus por você quando se sente indigno. O seu sentimento de inferioridade, indiretamente, demonstra que a morte de Jesus não foi suficiente para te tornar digno, para te purificar. Mesmo diante dos seus pecados, erros, defeitos, limitações, impossibilidades, você pode se achegar o Pai. O caminho está aberto para você. Não se sinta culpado, não se sinta menor, não se sinta rejeitado. Não permita que te julguem, ninguém tem esse direito. Não dê essa liberdade, mostre que você sabe o significado do sangue, que você tem consciência do amor de Deus.

Essa Palavra não é desculpa para o pecado, até por que, como dizia meu professor Pastor André Valadão, o povo peca com desculpa ou sem desculpa e, se não tiver uma desculpa, eles inventam uma. Essa palavra é uma cura para alma. Foi uma cura para a minha alma e tenho certeza que será para a sua.

Não há nada que você possa fazer que faça com que Deus te ame menos e não há nada que você possa fazer que faça com quem Deus te ame mais.

Essa frase foi libertadora em um determinado momento da minha vida. Eu não tenho como contar todas as minhas experiências em um texto só, mas eu confesso: já fui uma idiota. Porque assim como todo mundo, já cometi inúmeros erros, uns mais bobos, outros mais graves, mas foram atitudes impensadas, confissões de pecados apressadas que me custaram muito. Esse alto preço só foi pago por causa da ignorância do meu coração em relação à verdade de Deus para mim. Eu me permitia ser pisada, ser julgada, ser massacrada, ser afrontada por pura ignorância. Hoje, ninguém me acusa, seja qual for o meu pecado. Alguns podem até me julgar, mas esse julgamento não me atinge, não me afronta, pois eu tenho plena consciência de quem eu sou para Deus e de quem Deus é para mim e apenas isso que importa.

Como diz uma amiga: “o Sangue de Jesus não é suco de uva, querido”. Então, meu irmão, não faça do sangue do sangue de Jesus aquilo que ele não é. Saiba e viva e o seu real valor.

No amor de Cristo.

Esse título pode parecer uma loucura, mas muitos sofrimentos são para o crescimento e amadurecimento. Certa vez em li num livro do Philip Yancey algo muito interessante. Ele escreveu que as pessoas portadoras de hanseníase só são mutiladas porque não sentem dor. A dor é um sinal para algo que está errado, uma espécie de aviso. Por isso, em muitos momentos devemos agradecer pela dor para que não sejamos mutilados na alma sem perceber. Eu sei que é muito fácil escrever ou falar quando tudo está bem. Em situações de dor, angustia, sofrimento, na maioria das vezes, eu não consigo raciocinar dessa forma, mas quando olho para trás, consigo enxergar o caminho percorrido, os degraus subidos e o quanto os momentos de lutas e lágrimas serviram para o amadurecimento das emoções, da fé, da intimidade com o pai…

Existem dificuldades que são causadas por fatores externos: dinheiro, marido, filho, família, patrão… enfim , coisas que acontecem que nos desestruturam. E existem dificuldades internas: conflitos, erros, crises, problemas emocionais. Eu, particularmente, sou fortemente atingida por esses. Eles conseguem me abalar, me desestruturar grandemente. Os fatores externos me entristecem, mas não abatem. Os internos mudam a minha fisionomia. Quem me conhece percebe de longe. Não sei dizer se com todo mundo é assim.
Todo mundo possui limitações e crises internas que gostariam de vencer, de banir da vida para sempre. É tão bom olhar para trás e vê, nas etapas vencidas, que valeu a pena passar por tudo aquilo, que valeu a pena lutar. É bom olhar e ver o crescimento, a maturidade, sem esquecer, claro, do caminho que ainda existe mais adiante. Mas olhar para trás e enxergar que, durante todo aquele sofrimento, lutas e crises, Deus esteve contigo é bom demais e, melhor ainda, é poder ver que tudo teve um propósito e que Ele amou, Ele cuidou, ainda que parecesse distante, Ele estava lá.

Eu tive muitos problemas emocionais vencidos (e muitos a vencer). Quem me acompanhou e me conhece de verdade sabe disso. Já vivenciei muitas crises interiores, assim como todo mundo, não sou melhor e nem pior que ninguém, cada um sabe os conflitos e as tristezas que enfrentam. Não quero entrar em detalhes, mas durante quase 20 anos (eu tenho 27) da minha vida, eu vivenciei um conflito e uma limitação que parecia maior do que eu podia suportar. Sim, começou na infância, mas eu não dava importância, parecia normal. Mas fazia uns 14 anos que eu lutava contra isso. Antes que você pense a coisa errada, eu não sou homossexual e nunca me relacionei amorosamente com alguém do mesmo sexo. Mas isso não está em discussão no momento. Voltando ao assunto, esse sentimento, atitude, crise, limitação, não sei que nome dar, era grande demais, era forte demais, era algo que era me parecia impossível e era. Perdi as contas das noites que eu não dormi, das lágrimas que eu derramei, dos gritos que eu dei, das atitudes drásticas que tomei, das cartas que escrevi, das orações que eu implorei, da dor que meu coração sentiu, dos votos que eu fiz… Perdi as contas… só eu sei, ninguém mais. Mudei de cidade e lá estava ele. Eu achei que ia ser escrava o resto da minha vida e que o meu problema não tinha solução.

Mas, hoje, eu posso dizer que valeu a pena. Valeu a pena clamar, valeu a pena sofrer, valeu a pena ser sincera com Deus, valeu a pena expor… valeu a pena. Hoje, eu tenho outras etapas a vencer, mas quando eu olho o meu coração, a minha forma de enxergar, a minha forma de amar, a minha forma de agir, as crises que eu controlo, as exigências que eu não preciso, a necessidade que não me corroi, o amor que não é maior que o meu, o olhar que não é o mesmo… Eu só consigo dizer que Deus é Deus, não há outro.
Esse texto poderia ter sido escrito há bastante tempo, mas, aos poucos, é que a gente se dá conta do que Deus fez num passado distante, fez num passado próximo, está fazendo e ainda fará. Não há impossível para ele, basta o coração ta rasgado em sua presença. Com o coração quebrantado e exposto a Ele não há pecado que permaneça, não há trauma que não seja curado, não há vida que não seja vivida, não há paz que não seja sentida, não há crise que não seja superada, não há laços que não sejam quebrados, não há nada que seja impossível.

Olhe para trás como um incentivo de seguir adiante, pois o melhor de Deus ainda está por vir.

pedofilia

Essa semana uma história me chocou de forma profunda. Estou escrevendo só agora, porque não tive tempo. Não parei um minuto, nem para dormir, nem para respirar, nem para ir ao banheiro (exageros a parte). Mas, enquanto esperava um móvel chegar no apartamento e fazia uma faxina básica, estava ouvindo a televisão. Acho que todos ficaram sabendo do caso da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos que foi submetida ao aborto. Chorei quando soube que a menina fez a curetagem com uma gravidez de 4 meses. Pelo o pouco que eu sei, 4 meses o feto já está formado, só precisa se desenvolver. Chorei pela situação em geral.

Não quero julgar aqui a atitude dos médicos. Sinceramente, não tenho opinião sobre isso. É muito fácil julgar e apontar como a igreja católica fez. Mas também é uma situação onde a vida da menina estava em risco. Enfim, o que me revoltou nessa história toda foi a postura dos bispos, padres e das outras pessoas com nomenclaturas e cargos dentro da igreja. Excomungou os médicos, proibiu isso e aquilo. Agora eu me pergunto: “Quem são essas pessoas para tomarem tal atitudes com relação a gente como eles?” Essa soberba me irrita, me entristece, me revolta. Não estou nem ai para essa excomungação, porque isso não tem significado nenhum biblicamente falando. Mas a postura de achar que pode fazer o que quiser e representar Deus, achando que pode julgar as pessoas, proibi-lo disso ou daquilo é, no mínimo, absurda.

Durante a reportagem, o bispo foi questionado em relação a excomunhão do padrasto da menina. E a resposta foi que ele não cometeu crime passível de excomungação, ou sei lá como se fala. Agora pense comigo: o cara engravida a menina de 9 anos, é o único responsável por toda essa situação e ele simplesmente não cometeu crime passível de ser excluído da igreja. Quem já sofreu abuso sexual na infância carrega essas marcas por resto da vida. Ainda que cresça, que Deus cure, que aprenda a passar por cima e a viver normalmente, alguma marca vai ficar. E não estou falando de algo que ouvi falar.

Biblicamente, todos os erros (com exceção da blasfêmia contra o Espírito Santo) são passíveis de perdão. TODOS, se houver verdadeiro arrependimento. O sangue de Jesus me purifica, te purifica, nos purifica, sempre, em todo o tempo. Isso é Bíblia, não é história em quadrinhos. A Bíblia também afirma para não julgarmos para não sermos julgados. Ninguém tem o direito de afirmar e de se levantar contra ninguém. Seja ele o padre, o pastor, o bispo, o arcebispo, o papa, o obama, o presidente Lula… Não importa a nomenclatura, não importa o cargo. Para Deus somos todos iguais, viemos do pó e para ele voltaremos. Essa atitude do tal bispo para mim não tem valor nenhum, mas o que faz a igreja pensar que pode assumir esse papel tão baixo?

Que isso seja de exemplo para nós. E até normal a igreja católica tomar essa postura, porque durante toda a história ela manteve essa atitude soberba, mandona, manipuladora, sanguinária, entre outras coisas que vem desde o tempo da inquisição. Que nós, eu, você e aqueles que querem ser exemplo de Cristo possamos aprender com eles o que NÃO fazer, porque Deus me chamou para abençoar, para amar, para frutificar, para acolher, para cuidar, em toda e qualquer situação e, mesmo que eu repreenda, essa repreensão precisa estar cheia do amor de Deus, que deu o seu filho para morrer por nós. Parece que esse amor e essa misericórdia, essa instituição ainda não conhece.

Não sei quem está certo e quem está errado nessa história, mas o julgamento não compete nem a mim, nem a você e nem a ninguém. A menina não tem culpa de ter sido estuprada e muito menos de ter sido submetida ao aborto. Quero apenas orar para que a marca emocional dela seja curada pelo Médicos dos médicos, Mestre dos mestres, Senhor dos senhores e que Ele a carregue no colo e a faça ninar como uma criança que teve a sua infância roubada, infância que o nosso Papai pode devolver.