pedofilia

Essa semana uma história me chocou de forma profunda. Estou escrevendo só agora, porque não tive tempo. Não parei um minuto, nem para dormir, nem para respirar, nem para ir ao banheiro (exageros a parte). Mas, enquanto esperava um móvel chegar no apartamento e fazia uma faxina básica, estava ouvindo a televisão. Acho que todos ficaram sabendo do caso da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos que foi submetida ao aborto. Chorei quando soube que a menina fez a curetagem com uma gravidez de 4 meses. Pelo o pouco que eu sei, 4 meses o feto já está formado, só precisa se desenvolver. Chorei pela situação em geral.

Não quero julgar aqui a atitude dos médicos. Sinceramente, não tenho opinião sobre isso. É muito fácil julgar e apontar como a igreja católica fez. Mas também é uma situação onde a vida da menina estava em risco. Enfim, o que me revoltou nessa história toda foi a postura dos bispos, padres e das outras pessoas com nomenclaturas e cargos dentro da igreja. Excomungou os médicos, proibiu isso e aquilo. Agora eu me pergunto: “Quem são essas pessoas para tomarem tal atitudes com relação a gente como eles?” Essa soberba me irrita, me entristece, me revolta. Não estou nem ai para essa excomungação, porque isso não tem significado nenhum biblicamente falando. Mas a postura de achar que pode fazer o que quiser e representar Deus, achando que pode julgar as pessoas, proibi-lo disso ou daquilo é, no mínimo, absurda.

Durante a reportagem, o bispo foi questionado em relação a excomunhão do padrasto da menina. E a resposta foi que ele não cometeu crime passível de excomungação, ou sei lá como se fala. Agora pense comigo: o cara engravida a menina de 9 anos, é o único responsável por toda essa situação e ele simplesmente não cometeu crime passível de ser excluído da igreja. Quem já sofreu abuso sexual na infância carrega essas marcas por resto da vida. Ainda que cresça, que Deus cure, que aprenda a passar por cima e a viver normalmente, alguma marca vai ficar. E não estou falando de algo que ouvi falar.

Biblicamente, todos os erros (com exceção da blasfêmia contra o Espírito Santo) são passíveis de perdão. TODOS, se houver verdadeiro arrependimento. O sangue de Jesus me purifica, te purifica, nos purifica, sempre, em todo o tempo. Isso é Bíblia, não é história em quadrinhos. A Bíblia também afirma para não julgarmos para não sermos julgados. Ninguém tem o direito de afirmar e de se levantar contra ninguém. Seja ele o padre, o pastor, o bispo, o arcebispo, o papa, o obama, o presidente Lula… Não importa a nomenclatura, não importa o cargo. Para Deus somos todos iguais, viemos do pó e para ele voltaremos. Essa atitude do tal bispo para mim não tem valor nenhum, mas o que faz a igreja pensar que pode assumir esse papel tão baixo?

Que isso seja de exemplo para nós. E até normal a igreja católica tomar essa postura, porque durante toda a história ela manteve essa atitude soberba, mandona, manipuladora, sanguinária, entre outras coisas que vem desde o tempo da inquisição. Que nós, eu, você e aqueles que querem ser exemplo de Cristo possamos aprender com eles o que NÃO fazer, porque Deus me chamou para abençoar, para amar, para frutificar, para acolher, para cuidar, em toda e qualquer situação e, mesmo que eu repreenda, essa repreensão precisa estar cheia do amor de Deus, que deu o seu filho para morrer por nós. Parece que esse amor e essa misericórdia, essa instituição ainda não conhece.

Não sei quem está certo e quem está errado nessa história, mas o julgamento não compete nem a mim, nem a você e nem a ninguém. A menina não tem culpa de ter sido estuprada e muito menos de ter sido submetida ao aborto. Quero apenas orar para que a marca emocional dela seja curada pelo Médicos dos médicos, Mestre dos mestres, Senhor dos senhores e que Ele a carregue no colo e a faça ninar como uma criança que teve a sua infância roubada, infância que o nosso Papai pode devolver.