“Quando tudo me diz não, sua voz me encoraja a prosseguir”

Está para nascer nesse mundo alguém mais neurótica do que eu. Chega a ser engraçado. Para mim, às vezes, e para as pessoas que me conhecem. Mas, tudo isso tem uma razão. Na verdade, várias razões. O fato é que, muitas vezes, isso me incomoda, porque, em muitos casos, sem motivo, eu perco a paz, por questões tão idiotas e sem importância. Só que, enquanto as questões são imbecis e não afetam ninguém, tudo bem. É complicado, mas a gente releva. O problema é que agora não é uma questão minha, só minha.

Eu tenho medo da perda de uma maneira muito intensa. A perda de tudo. A perda de alguém, a perda de um amigo, a perda de uma conquista, a perda de familiar, a perda do amor… perdas em geral.

Há pouco mais de uma semana, descobri que eu vou ser mãe. No dia 8 de setembro, eu fiz um exame com resultado positivo. Minha primeira reação foi a mais estranha possível. Apesar de eu estar tentando engravidar, praticamente, desde casei, não imaginei que fosse ser rápido. Muitas mulheres demoram muito depois que largam o anticoncepcional. Então, a minha reação foi de surpresa. Fiquei olhando para a cara do meu marido, imóvel, sem ação e ele, incrivelmente, com a mesma reação. Quase fizemos um coro: E agora? Acontece o que? Olhei para o meu corpo, sem sentir nada e pensei: é isso mesmo? Eu to grávida? A ficha levou alguns para cair. Fiz o exame de sangue para confirmar, deu positivissímo, e eu espalhei a novidade alegremente para todos, porém eu mesma não acreditava no que estava contando. O médico mandou eu esperar uma semana para fazer a ultra, eu esperei dois dias. A minha ficha só caiu quando eu ouvi o coração do meu filho. Fiquei muito emocionada. É uma sensação inexplicável. Tão pequeno, mas já causa tantas mudanças, físicas, emocionais. Saí muito feliz, com a “foto” do meu filho nos braços.

Mas, a partir daí, os meus medos e neuroses viram a tona. Durante alguns dias não consegui dormir, preocupada. Será que ta tudo bem? Será que ele já cresceu muito? Como será que ele ta? Senti medo. Só medo. Mas meu marido me acalma, sempre.

Hoje, eu acordei com uma crise de choro. Liguei pro médico, queria repetir a ultra, queria ouvir o coração dele. O médico disse que eu não precisava me preocupar, que tava tudo bem, mas que se ouvir o coração do neném, ia me deixar mais tranqüila, eu podia fazer. No meio do caminho, eu me acalmei, desisti de fazer a ultra e fui andar no shopping com meu amor.

Ao chegar em casa, minha preguiça de grávida foi embora e fui arrumar  a casa, porque estava uma bagunça. Durante a minha limpeza, Deus me disse tantas coisas que me marcaram e me tranqüilizaram. Se ele, o dono da vida, aquele que colocou esse neném dentro de mim, não é capaz de cuidar dele, que poder tenho eu sobre isso? Que poder eu tenho sobre a vida? Eu não posso dar o fôlego de vida a ninguém, eu não posso fazer ninguém nascer. Deus é aquele que permitiu com que esse neném estivesse aqui. E só Ele pode cuidar disso. Nada acontece sem que Deus permita. Por que é tão difícil confiar que Ele cuida de nós nas mínimas coisas? Por que é difícil acreditar que a sua vontade é boa, perfeita e agradável? Por que não conseguimos enxergar que a sua mão está sobre nós em todo tempo nos livrando e nos guardando?

Ele é o dono do mundo, ele é o dono da vida e só nele confiarei.