Eu sempre fui crente. Não, não nasci na igreja. Me converti aos 16 anos, mas eu sempre fui crente. O que eu quero dizer com isso? Que por mais que eu pecasse, por mais que eu errasse, por mais que eu fizesse coisas que desagradassem o coração de Deus, eu era crente. Sempre tive o coração puro, uma vontade de acertar, uma sinceridade imensa. Sempre fui intensa, em tudo. Nas minhas atitudes, na minha entrega, seja para o certo ou para o errado, nos meus sentimentos, na minha verdade, na minha raiva, nas minhas mágoas, no meu jeito de viver a vida. Eu sou over.

Cometi muitos erros durante toda a minha vida cristã. Fui uma “ovelha” rebelde, difícil, carente, complicada… até expulsa do seminário eu fui. Mas era crente. Vocês me entendem?

Nossas atitudes são um reflexo de tudo que vivemos. E minha vida não foi fácil, talvez, por isso, eu tenha dado tanto trabalho aos pastores que passaram pela minha vida. Alguns, ainda estão ao meu lado até os dias hoje, depois de tantos anos e tantas tempestades, outros não.

 Lembrei-me desse blog que eu não entrava há 3 anos. Li todos os comentários (200) pendentes e meu coração se encheu de alegria, de gratidão e de temor.

Não tenho vivido bons momentos. Estava com a vida fora dos caminhos do Senhor há mais de 3 anos.  Resolvi voltar a escrever, pois é minha distração favorita. Eu me entrego, eu me rasgo e, talvez, isso me ajude a vencer o vício do cigarro que está bem difícil.  Tenho chorado todos os dias pedindo que o Senhor me ajude a ser quem eu era em Deus. Estou buscando, estou me esforçando. Das outras vezes que eu me afastava (algumas), bastava Deus me sacudir bem forte e eu era outra. Largava tudo de uma vez e pronto. Igual Mulher Maravilha.

Decidi parar de fumar para, enfim, conseguir voltar com a minha comunhão e a minha vida de adoração no dia primeiro de janeiro, mas não vou ser hipócrita e me julgue quem quiser, não estou nem ai, fumei, no mínimo, um cigarro todos os dias. Não comprei maço, mas passava na banca de jornal no final do expediente e comprava um cigarro e fumava com uma dor no coração sem entender o que eu estava fazendo com aquele charuto do capeta na boca.

Na quarta-feira, eu fui à igreja e Deus falou comigo como há muito tempo eu não ouvia. Me sacudiu, me virou do avesso, me destruiu. Gritei e chorei com toda a força da minha alma e do meu espírito. Sai de lá crente! E disse: agora acabou!

No dia seguinte, no final do expediente, eu olhei pra banca. Não fui forte o suficiente, comprei o cigarro, mas não tinha isqueiro, pois tinha jogado todos no lixo. Havia um homem fumando próxima a banca. Ele me emprestou o isqueiro e disse:

–  Fica para você.

– Não, obrigado. Esse é ultimo cigarro. Não vou mais fumar.

– Duvido.

Eu virei as costas com muita raiva, mas com cigarro na boca.

– Capeta dos infernos. Você vai se ver comigo…

Mas o que adianta eu falar?

Me sinto sem forças…

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